
de vez em
quandário
2ª Recria Cine
De 2015 a 2016 ministrei na UFJF e na UFF(Pádua) algumas oficinas sobre o papel político da arte e sobre o design gráfico enquanto ferramenta de comunicação. Em 2017, lá pelo meio do ano, eu vivia uma crise de tristeza profunda, quando me convidaram para ministrar uma oficina de storyboard para crianças, na segunda edição da Mostra para Crianças e Adolescentes Recria Cine, que acontece anualmente no município de Ervália, em Minas Gerais.
Na época, eu não entendia muita coisa nem de cinema, nem de criança. Mas tentei usar o que eu sabia de design e desenho, para propôr o planejamento de um filme. E mesmo planejando a oficina com alguma antecedência, fui pega de surpresa - recebi crianças de diferentes idades, algumas acompanhadas de familiares e eu tive que pensar num jogo de cintura ao vivo para lidar com aquela dinâmica totalmente nova. O desafio me causou um frio na barriga tão grande, mas tão grande, que eu quis voltar no ano seguinte.
Nesta edição ministrei ao longo de três dias a oficina de "Roteiro Ilustrado". A ideia era explicar um pouco para que servem os roteiros e os storyboards quando a gente tá criando um filme; conversamos sobre a necessidade de registrar e organizar as ideias para conseguirmos pôr um filme (ou o que quer que seja) para acontecer. A partir disso, idealizamos juntos os personagens, seus poderes, os cenários, o mote da história. Depois desenhamos cena a cena a história criada. Eu fotografei cada um dos desenhos e montei - com o pouquíssimo conhecimento que eu tinha sobre edição - um stop motion a partir dos desenhos das crianças.
Fiquei empolgada com a ideia de editar o filme ainda durante o evento, para que pudéssemos, de surpresa, exibir o filme para as crianças na última sessão do último dia. Estávamos muito animados para que elas vissem os próprios desenhos na telona.
No terceiro e último dia do evento, logo de manhã chamei o Dani (que tinha uns 8 anos na época e estava fazendo a oficina comigo) de cantinho para dublar secretamente a história d'O menino-tigre - nome que recebeu o nosso filme. Passei o dia penando para organizar as minhas próprias tarefas no evento E fazer escondido a edição do filme a tempo dele ser exibido.
O Dani, que era o único que sabia do meu plano secreto, se ofereceu para dar a oficina no meu lugar naquele dia. E eu de imediato topei - estava doida para ver como ele ia fazer. Mas chegando a hora, ele decidiu simplesmente mudar o tema da oficina e deu uma de origami, fez o maior sucesso. Eu fiquei ali do lado supervisionando, enquanto editava o filme e fazia os meus próprios origamis.
Conseguimos exibir o filme na última sessão e causar a surpresa que queríamos. Acho que isso marca um momento especial, onde percebemos que queríamos assistir também os nossos próprios filmes, ver os nossos rostos nos telões e as nossas vozes ecoando nos pátios da Recria Cine.
Nesta edição estabeleci as primeiras amizades na Recria, tanto na equipe, como com o público - aqui deixo um lembrete especial para a amizade que conquistei não só com o Dani, mas com o Branco, de quem ainda vou falar por aqui e que viriam a ser nossos primeiros membros da equipe mirim algum tempo depois.









