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Arte em Trânsito | Residência
Em 2018, após minha primeira oficina na Recria Cine, eu decidi tentar uma bolsa no Colégio de Aplicação João XXIII - onde eu tinha vontade de trabalhar desde que entrara na faculdade.
Na época uma amiga trabalhava no Colégio, no qual ela havia também estudado na infância, e insistiu para que ao invés da monitoria em sala, eu me candidatasse ao projeto Arte em Trânsito.
Nele, eu descobri o universo das residências artísticas em espaços educativos e uma outra perspectiva sobre como discutir arte na escola, fugindo de cronologias eurocêntricas e receitas de bolo.
não toque, isso é arte!
Quando entrei para o projeto, muitas eram as histórias sobre o Arte em Trânsito. E elas se encontravam frequentemente em um mesmo lugar: o da experimentação, da surpresa, da curiosidade.
Primeiro, as professoras Andrea Senra e Renata Caetano pediram para ocupar um corredor que ficava entre as salas de aula e os laboratórios de artes. Esse espaço passou a ser chamado e tratado como "galeria de arte" na escola. A partir de então, se passaria de outra forma por ele. Sem correr, observando o que haviam nas paredes, e assim por diante.
No começo as crianças não entendiam o que era escultura, então convidaram a professora de cerâmica Sandra Sato (UFJF) para esconder maçãs de cerâmica pela escola. Elas eram encontradas e devolvidas ou sequestradas pelas crianças. Depois, houve uma confusão com os móbiles, que as crianças passavam aos pulos, tentando acertar no ar quando invadiam o corredor da galeria. E então a artista convidada da vez foi Bruna Gonçalves, com a exposição Inflar, que trazia centenas de balões de origami feitos de papel alumínio. A ideia era mexer, amassar, manusear esse imenso móbile - que apesar de vários dias de trabalho de montagem, foi completamente amassado em um ou dois intervalos.
O Arte em Trânsito surge com a proposta de apresentar o trabalho dos professores da escola à sua própria comunidade. Mas com o tempo, passa a apresentar uma mostra anual de artes no Colégio, a criar fóruns periódicos de discussão entre professores e arte educadores, e por fim, a abrir editais anuais e ter uma seleção de artistas em residência na escola, um a cada mês; trazendo exposições locais, imersivas e que movimentam perguntas acerca do nosso aprendizado sobre arte.
No ano de 2018, flutuei entre os balões de Bruna Gonçalves, mergulhei nos aquários de Ana Carolina Santos, nos emaranhamos na teias de Paulo Rafael. Fizemos estandarte e cortejo com Marcelo Brant, viajamos aos ensaios do Ilê Ayê com a professora Caroline Bezerra e escarafunchamos memórias com Lucas Soares.
No ano de 2019, o compilado deste trabalho se desdobrou em um circuito de quatro exposições, chamado Deslocamentos Poéticos.







